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Quem sabe estuda, quem ensina aprende
Ensinar a aprender segundo o Prof. Gretz

Quando me perguntam por que sempre uso junto ao meu nome o título de Professor, costumo responder: “É porque esse é o único título que não provoca inveja em ninguém”. Esta frase bem-humorada não deixa de ser verdade.
Mas há outras frases muito lembradas sobre a figura do professor que, embora engraçadas, não trazem uma mensagem positiva para nós que professamos essa atividade.
Por exemplo: “Hei de vencer, mesmo sendo professor”. É uma pena que a auto-estima de grande parte dos professores não esteja muito boa, mas para vencer precisamos dar valor ao que fazemos.
Outra dessas frases, que acho bastante negativa, é: “Quem sabe, sabe. Quem não sabe, ensina”. Discordo totalmente. Só se completássemos a frase assim: “Quem sabe, sabe ensinar. Quem não sabe, ensina mal”.
Prefiro um verso inspiradíssimo da poeta goiana Cora Coralina: "Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina".
Isto porque ensinar é uma ação generosa. É compartilhar algo que você tem, dividir com as outras pessoas o que você aprendeu. Por outro lado, aprender é um gesto de humildade, abertura para o novo. A generosidade do ensinar e a humildade do aprender são atitudes que fazem a pessoa mais feliz.
Cursei Faculdade de História e sempre fui fascinado pelo estudo das civilizações. Quando me aprofundei na história dos antigos hebreus, vários costumes daquele povo me impressionaram bastante, inclusive um detalhe que é pouco citado mas é de extrema importância.
Pela lei mosaica, os ricos eram instruídos a deixar para os pobres as extremidades de seus campos de cereais ou de suas vinhas. Para merecerem a bênção de Deus, não colhiam nas áreas próximas aos limites de seus campos, que assim ficavam para os necessitados. Quanto maiores fossem essas extremidades, mais abençoados eles seriam.
Esse costume está descrito na Bíblia (Levítico, 19:9-10), da seguinte forma: “Quando fizeres a colheita em tua terra, não ceifarás totalmente os cantos do teu campo, nem colherás as espigas caídas. Não recolhas também os cachos de uvas caídos da tua vinha; deixe-os para o pobre e o estrangeiro.”
Não é preciso ser lavrador para adotar essa atitude em nossa vida. Em muitos momentos nós temos a oportunidade de deixar extremidades daquilo que temos, para as pessoas de nosso convívio.
Quando a gente ensina, está doando ao outro muito mais do que as extremidades. O ensino verdadeiro não tem limites, porque é uma interação completa em que os papéis do mestre e do discípulo se misturam.
“Se alguém te forçar a percorrer uma milha, anda com ele duas”. Gosto muito de citar essa frase, de Mateus, em minhas palestras e livros, porque entendo que andar a segunda milha é fazer um pouco mais do que o normal. É a condição para uma caminhada de sucesso e para o nosso desenvolvimento como seres humanos.
No relacionamento com as pessoas de nosso convívio profissional ou pessoal, precisamos também dar alguns passos a mais. Assim como as diversas formas de ajudar, ou as palavras de elogio, de conforto, de estímulo e entusiasmo, as orientações positivas, as oportunidades de progresso, o ofício de ensinar exige de nós muitas vezes um esforço maior do que o normal. E vale a pena andar a segunda milha.
Quanto maiores forem as suas extremidades, maior será a distância entre uma ponta e outra, portanto maior será o meio, que é a sua parte. Esta é a chave daquele costume dos antigos hebreus. Assim fazendo você perceberá, em sua própria vida, que está colocando em prática um segredo que nos conduz à prosperidade e nos dá forças para a superação de limites. Ensinar, aprender e viver são verbos inseparáveis.

Prof. Gretz
www.gretz.com.br

 



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