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Professores, músicos e maestros participaram do "Diálogo com a Música"

10/09/2011 | MÚSICA NAS ESCOLAS

Crescendo com o som da cidade

Composições produzidas por artistas locais farão parte do conteúdo programático do ensino de música nas escolas da rede municipal
Notícia publicada na edição de 10/09/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
José Antônio Rosa
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Das casas de shows, dos espaços alternativos e dos discos para a sala de aula: esse promete ser, a partir do ano que vem, o itinerário cumprido pela produção musical sorocabana. O trabalho dos artistas locais (instrumentistas, cantores, arranjadores, etc.) deve começar a ser divulgado e passa a fazer parte, junto com outros temas, do conteúdo programático do ensino de música nas escolas da rede municipal, conforme anunciado ontem pela secretária da Educação do Município, Terezinha Del Cistia.

A informação foi prestada durante mais uma edição do ciclo de palestras organizado pela Fundação Luiz Almeida Marins Filho (Flamf) que, em 2011, discutiu a aplicação da lei que torna obrigatório o aprendizado de música nas unidades escolares. Para debater o assunto estiveram na cidade, pesquisadores e estudiosos como Maria Berenice Simões Almeida, Magada Pucci e Cristina Rossetto, além do maestro da Sinfônica Municipal, Eduardo Ostergren, dos músicos Rogério e Renata Koury, e do consultor Max Gehringer.

Com a entrada em vigor da legislação, as escolas devem, até o final deste ano, ultimar os preparativos para se adaptar às exigências. Terezinha Del Cistia explicou que os estabelecimentos terão autonomia para definir aquilo que irão ensinar. Até por isso, continuou, nada impede que o aprendizado contemple, também, as vivências dos realizadores daqui. O secretário da Cultura, Anderson Santos, destacou a diversidade das propostas trabalhadas em Sorocaba.

"Temos representantes de todas as vertentes: do popular ao erudito, das manifestações folclóricas ao alternativo, passando pelo contemporâneo e pelo universal, como tem sido muito divulgado, existe, aqui, uma diversidade muito rica que deve, sim, ser divulgada às novas gerações. Por que não pensar em oficinas, em projetos que esses profissionais possam desenvolver em parceria com o poder público para despertar o interesse dos estudantes?".

Na prática, ainda conforme Terezinha Del Cistia, a ideia é montar uma grade curricular que alcance conteúdos de interesse. A formação é a prioridade. "Não vamos ensinar como se toca determinado instrumento, mas abrir caminho para que eles, os alunos, disponham de referenciais. O objetivo é que os alunos se permitam conhecer outros gêneros, que saibam valorizar a cultura popular, as expressões que construíram a nossa identidade."

Mais do que um objetivo, a tarefa de trabalhar as questões com o jovem tem um componente de desafio. É o que avaliam os professores e músicos Rogério e Renata Koury. "É preciso, antes, investir na capacitação dos professores, para se chegar aos resultados. Cumprida essa etapa, mais da metade do caminho terá sido percorrido. Eles estão abertos e mostram-se receptivos ao aprendizados, desde que a abordagem também corresponda às expectativas."

Essa é, também, a opinião da pesquisadora Magda Pucci. Formada pela USP e integrante do Mawaka, um dos mais respeitados grupos vocais da cena contemporânea, ela admite, citando um exemplo, que a concorrência entre o jongo, o maracacatu e a ciranda e o hip hop, pode ser desigual. Lembrou, no entanto, que o convívio entre os estilos pode ser até harmonioso. "O professor pode, se quiser, lembrar da origem africana de certos gêneros e fazer um link com o samba, com o jongo, o canto dos escravos. Se a preferência da classe for pelo sertanejo, uma alternativa é mencionar autores consagrados, que os próprios artistas de hoje respeitam."

O encontro, dirigido a educadores, reproduziu um rico painel de experiências, como aquelas relatadas pelo consultor Max Geringher. Conhecido como palestrante e titular do quadro "O Conciliador", do Fantástico, ele arrebatou a plateia ao falar de suas vivências musicais. Gehringer contou que a música contribuiu para enriquecer o vocabulário e lembrou, cantando, de canções do começo do século passado, até algumas atuais.

Nesse passeio pelo cancioneiro, interpretou temas de Silvio Caldas e Orestes Barbosa ("Chão de Estrelas"), cujos versos "tu pisavas os astros distraída" foram considerados por Manuel Bandeira a mais perfeita construção poética já realizada; Roberto Carlos ("Detalhes", canção na qual o autor assume ter "o português ruim"), e Ultraje a Rigor ("a gente somos inútil"). O convidado até contou uma curiosidade ao revelar que a "Parabéns Pra Você", a música mais interpretada no mundo, foi, na verdade, composta por duas irmãs do meio oeste americano. A letra original não dizia muita coisa, além de ser bastante repetitiva. Foi o radialista Almirante quem, nos anos 30, irritado com o "Happy Birthday to You", promoveu um concurso para que o tema ganhasse uma versão mais condizente. A vencedora foi uma professora de Pindamonhangaba, cidade do
Vale do Paraíba, que compôs o mais popular dos refrões.

Até o final do ano, a Secretaria da Educação deve ter definidos os critérios para montagem da grade do curso de música que, na rede municipal, será frequentado por cerca de 30 mil alunos.
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