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Várias pessoas me perguntam sobre a biologia dos cupins e brocas, sabedoras de minha formação em História Natural (Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Rio Claro, hoje UNESP-Rio Claro-SP), curso que formava biólogos e geólogos, hoje substituídos pelos cursos de biologia e geologia. Resolvi então, escrever este artigo para divulgar alguns dados sobre  biologia dos cupins e brocas. 
 
Vários trabalhos foram  desenvolvidos por pesquisadores tais como: Ana Maria Costa-Leonardo do Departamento de Biologia de Centro de Estudos de Insetos Sociais, da Universidade Estadual Paulista – UNESP-Rio Claro (Cupins e besouros?. Ciência Hoje. Vol. 34. no. 202.março-2004. p.37), e    Messias Carrera um dos primeiros a editar um livro sobre os insetos intitulado: “Entomologia para Você”, ele era biologista do Departamento de Zoologia da Secretaria da Agricultura do Estado de  São Paulo.
 
Muitas vezes confundimos cupins com brocas, cada um desses insetos tem sua biologia específica.
 
CUPINS
 
São insetos sociais, vivem em colônias e pertencem a ordem Isoptera. Temos cupim de madeira seca e de solo. Encontramos mais de 2.800 espécies conhecidas de cupins, maior parte na região tropical e sub - tropical.
 
Cupins de madeira seca formam colônias nos interior de estruturas e objetos de madeira para se alimentar da celulose. Cavam galerias e fazem ninhos. Gostam de madeira seca com umidade inferior a 30%. Atacam: armários, mesas, cadeiras, portas, janelas, pisos, rodapés, forros, vigas de telhado, livros, papéis em geral.
 
O cupim de madeira seca mais comum é Cryptotermes brevis encontrado hoje em  quase em todos os continentes.
 
Produzem bolotas fecais secas, isto para não perderem água. O pozinho de cupim encontrado sob os móveis, são as bolotas fecais.  Geralmente os cupins de madeira seca, têm uma população baixa com centenas de indivíduos, mas apesar da colônia ser pequena podemos ter em um móvel várias colônias. As madeiras preferidas são o Pinus , compensados . Eles preferem sempre fonte de celulose macia com papéis, etc. Os cupins acumulam grânulos fecais nas câmaras e de vez em quando empurram para fora da peça e depois fecham o orifício de saídas novamente. Eles mantêm a colônia bem limpa e até devoram os integrantes da colônia, que morreram.
 
A colônia possui soldados (defesa da colônia) os falsos operários (casta mais numerosa, de cor branca. Eles escavam e consomem a madeira cuidam do par real, dos jovens, dos ovos da limpeza do ninho e alimentam os outros membros da colônia que são incapazes de fazer sozinhos),  o casal real e jovens.
 
Os falsos operários se transformam em reprodutores alados (corpo marrom e asas iridescentes) que  deixam a colônia e vão em direção a luz, para procurar seus parceiros (são os “siriris” ou “aleluias”). Isto geralmente ocorre na primavera. Após o vôo, perdem as asas e se juntam macho e fêmea procurando um local para formar uma nova colônia. O macho segue a fêmea em uma dança nupcial, enquanto acha um local perfurado (furo de um prego, rachadura na madeira , etc.) para  início da escavação da câmara nupcial. Quando a câmara está pronta a sua abertura exterior é fechada com a secreção intestinal. Esse processo dura mais  ou menos, de 30 a 60 minutos e é realizado pelo macho e pela fêmea. Se não encontrarem local seguro eles morrem.  Instalando-se a colônia, só após três anos poderá ser observado o dano causado. Depois de cinco anos tornará uma colônia madura e sairá a primeira safra de alados. Cada colônia pode durar mais de 10 anos e pode conter mais  de mil membros.
 
As colônias dos cupins de solo são mais numerosas.
 
BROCA
 
São besouros, portanto insetos,  e têm  vida isolada e pertencem à ordem Coleoptera.
 
Temos mais de 300 mil espécies (maior ordem do reino animal) . Esses besouros furam a madeira em busca de alimento e abrigo. Apresentam os seguintes estágios; ovo, larva, pupa e adulto. São as larvas que atacam as madeiras para se alimentar. Preferem peças de vime ou cipó, que são menos resistentes.
 
O seu ciclo de vida pode durar um ano e a fase larval é a mais longa. O dano que causam é um orifício no móvel  para a saída do besouro adulto que  dura apenas poucas semanas. Mas em um móvel podemos ter várias infestações por brocas. Algumas brocas depositam seus ovos na superfície da madeira ou fendas.Dos ovos saem as larvas que se alimentam da madeira. Como não são animais sociais, eles cavam galerias individuais. Essas galerias são fechadas pelas fezes do animal. Ás vezes podemos observar resíduos igual uma serragem, que saem pelos orifícios deixados. Muitas vezes confundimos com cupim.
 
Para evitarmos os cupins e as brocas temos que evitar colocar em nossas casas, móveis que apresentem furos dos quais saiam resíduos. A peroba dificilmente é atacada por esses insetos por ser dura naturalmente. Para combater podemos fazer a fumigação  (exposição do material em local fechado sob ação de gás tóxico) usando os serviços de técnicos especializados. Peças pequenas, podemos colocar no congelador por 48 a 72 horas, para que os insetos morram. Esses tratamentos não impedem que sejam infestados novamente. A melhor forma é a prevenção, que  consiste em  fechar as janelas na época das revoadas (primavera) , apagar as luzes e  verificar periodicamente os móveis da casa para eliminarmos os focos desses insetos.
 
 
 
Prof.Dr. Marcos de Afonso Marins
Presidente da Diretoria Executiva da Fundação LAMF

 



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