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Professores com os nervos à flor da pele

Violência é o principal incômodo ou sofrimento no ambiente de trabalho para 62% dos entrevistados pela Apeoesp

·   "A gente começa a ficar indiferente, começa a faltar ao trabalho e, de repente, não vai mais. Chegou um momento em que eu não conseguia passar na frente da escola."
(Pedro, 40 anos, professor em uma escola da Zona Leste)

·   "Um aluno me falou palavrões e eu o coloquei para fora da sala. Ele me esperou na saída e, quando eu estava no carro, jogou um tijolo no vidro do meu lado."
(Ana, 41 anos, que deu aulas em uma escola dentro de uma favela na Zona Norte)

São Paulo - Pesquisa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) mostra que 46% dos 1.780 entrevistados tiveram diagnóstico confirmado de estresse e 25% sofrem com a depressão. Isso é provocado principalmente pelas situações de violência vividas dentro das escolas.

Os professores que citaram a violência como o principal incômodo ou sofrimento no ambiente de trabalho somaram 62%.

A diretora de uma escola do Rio Pequeno, escola da Zona Oeste, é uma delas. Ela contou que, só ali, há três professores tentando se readaptar ao trabalho depois de sofrerem com a síndrome do pânico, doença caracterizada por crises de ansiedade e pânico.

Ansiedade e agressões

Os dados do levantamento ainda apontam cansaço (80%), nervosismo (61%), ansiedade (55%), esquecimento (48%), angústia (44%) e insônia (34%) como os principais sintomas apresentados professores entrevistados.

Treze por cento deles também confirmaram já ter sofrido acidentes de trabalho, como agressões físicas (11%) e morais (8%). Metade desses casos ocorreram dentro das próprias escolas e 4% em eventos escolares fora do ambiente de trabalho.

Para o presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro, a própria escola não dá aos professores as condições necessárias para vencer a violência.

"Não há preparo de funcionários para enfrentar situações como essa. Como é possível trabalhar com um aluno drogado, que se torna extremamente agressivo? Nós não estamos preparados para enfrentar esse problemas."

Índice caindo

Segundo a Secretaria de Estado da Educação, o índice de violência vem caindo há dois anos, desde que foi implantado o programa Escola da Família, que abre as portas das escolas nos fins de semana a toda a comunidade, para atividades esportivas e culturais, qualificação de trabalho e orientação de saúde.

O principal motivo da queda nos delitos seria a integração da comunidade ao ambiente escolar.

De acordo com pesquisas da secretaria, as ocorrências contra a pessoa e o patrimônio nas escolas de todo o Estado caíram 39,5% depois do programa. Também houve redução de 46,5% nas agressões físicas e de 81% no porte de drogas. A queda de 36% dos índices de violência também foi visível na vizinhança das escolas.

 



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