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Ensinando a aprender
Marco Aurélio Ferreira Vianna

Talvez o Paradigma do Aprendizado seja o contexto que está sofrendo o maior impacto neste revolucionário e complexo inicio de século XXI. Conceitos tradicionais têm que ser revistos em profundidade, Valores antigos tem que ser fortemente atualizados e mais do que tudo um novo conjunto de atitudes deve ser adotado.

Alguns pontos dentro do Ambiente Estratégico da Educação devem ser ressaltados. Antes e acima de tudo é preciso ter consciência e maturidade para entender que o modelo que ainda existe no cérebro das pessoas, e no qual, portanto, as atitudes da grande maioria se baseia privilegia o resultado (no caso passar de ano), inferiorizando gravemente o processo de desenvolvimento (no caso o aprender). Mutatis mutandis, Bernardinho o grande Líder do esporte (e, portanto de pessoas) nos ensina que “o gosto e o prazer pelo treinamento tem que ser maior do que o gosto pela vitória”. Desta maneira ele eleva o esforço (custo) ao mesmo patamar do resultado (beneficio). O modelo mental do passar de ano é levado dos bancos de Escola para as Universidades, e pior ainda para as organizações.

Quando assessorava o Presidente de uma das mais renomadas Universidades do Brasil pedi uma profunda pesquisa sobre as expectativas dos Clientes (alunos) dos cursos do MBA. Repetindo a lógica anterior aprender se situava em oitava colocação. Currículo (agregar três letras à sua vida profissional), empregabilidade, ganhar mais dinheiro, formar network, motivar-se, receber dicas práticas entre outros tópicos eram muito mais prioritários.

Desta maneira, chega-se a uma primeira conclusão. Mesmo que o agente ativo da Educação (o transmissor do conhecimento) se supere na execução de sua missão o agente passivo, (o aluno), não quer transformar o que recebe em estoque de conteúdo. Peter Senge, com sérias pesquisas feitas nos Estados Unidos, concluiu que apenas 8% da carga de treinamento nas empresas são aproveitadas com consistência razoável. Em outras palavras, 92% são literalmente jogadas fora.

Assim, uma primeira mudança de paradigma é fundamental. Ao ensinar o conceito é preciso que, também, haja uma transformação na escala da Sabedoria, a saber: Dados, Informação, Cultura, Erudição, Sabedoria.

Saber que o Brasil tem mais ou menos 8000 km de litoral (Dados) não tem relevância alguma. Alguma forma de raciocínio e conclusão deve ser atingida. Por exemplo: com 8000 km de orla marítima, o turismo pode ser explorado com grande potencialidade de crescimento (Informação). Indo mais além esta informação deve ser retida (ou pelo menos ser acessível) para que ela se transforme em Cultura, que é a informação assimilada. Evoluindo ainda mais, a Cultura vira Erudição quando consegue interligar fontes diferentes, para com sinergia, criar uma vertente agregada composta. Finalmente, atinge-se a Sabedoria quando com a Erudição consolidada consegue-se criar o novo, construir a inovação.

É neste sentido que o aluno, desde o menino tabula rasa até um Ministro de Estado, ou um General do Exercito, ou o presidente de uma empresa, devem transformar-se de “agentes passivos” para “agentes ativos” da educação e do treinamento. É aqui que se encaixa o novo (já não tão novo) conceito de Andragogia que significa a Ciência do Ensino Adulto. Este termo é contraposto à Pedagogia que é a Ciência do Ensino para a Criança/Jovem. Na Andragogia o responsável pelo Aprendizado é o aluno, e não o professor.

Na Era do Conhecimento é necessário esta radical mudança de Atitude. Cada profissional deverá ter em mente que está sob a sua responsabilidade a criação de sua própria Universidade Individual, na qual ele tem papel de fundamental importância atuando como receptor e implantador do conhecimento repassado. Em suma, uma brutal quebra de paradigma.

Na ótica do professor e do  mestre grandes transformações, também, se fazem necessárias. Eu costumo abrir minhas palestras com a seguinte provocação: “O verdadeiro mestre não é o que ensina; o verdadeiro mestre é o que inspira”. Ortega y Gasset vai ainda mais longe: “Quando ensinares alguma coisa ensina também a duvidar”. No mundo de hoje, com algumas exceções em determinados patamares, o professor deixa de ser o banco de Idéias para ser o Líder de Vida, fonte de inspiração, exemplo a ser seguido. Eu já perguntei a mais de quinhentas pessoas: “Qual foi o grande mestre de sua vida”. A resposta é praticamente a mesma. “O grande mestre de minha vida não foi aquele/aquela que transmitiu conceitos com excelência; o grande mestre foi o que me inspirou para eu seguir meu próprio caminho, com minhas próprias capacitações”.

No mundo de hoje, onde a informação está absolutamente disponibilizada este tipo de comportamento fica ainda mais importante. Thomas Friedman coloca no seu livro O Mundo é Plano que uma criança atualmente entra para a escola com cerca de 5000 horas de televisão. Usando modelos matemáticos sofisticados Stephen Levitt em Freaknomics demonstra cientificamente que a televisão, ao contrario do que muita gente pensa, é altamente positiva para a educação de uma criança antes da idade escolar, desde claro, que sejam  escolhidos programas construtivos.

É neste ponto que voltamos ao essencial ao clássico, através do imortal Paulo Freire quando propôs a Pedagogia da Autonomia. Este é o grande papel dos mestres. Inspirar seus alunos a dar grande consistência à sua autonomia, à sua independência cultural. Nenhuma Escola e, portanto nenhuma Universidade Corporativa conseguirá fazer mais por um aluno do que sua decisão pessoal de se desenvolver, de crescer, de aprender, de adquirir efetivamente conhecimento. Adaptando a idéia seria criada a Andragogia da Autonomia É esta chama que devemos acender dentro de nossos alunos. Ensinar a aprender significa engrandecer as pessoas no aumento de sua autoconfiança e no seu autodesenvolvimento. Ensinar a aprender significa sair dos padrões tecnocráticos e evoluir para patamares mais nobres do Humano. Enfim como professor de Contabilidade, de Anatomia, ou de Física Quântica, o grande papel do mestre é ajudar a criar Seres Humanos Integrais, com total responsabilidade na construção de sua própria Plenitude.

Marco Aurélio Ferreira Vianna

www.marcoaurelioferreiravianna.com.br



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